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"Disseram-me: verás quando tiveres cinqüenta anos. Tenho cinqüenta anos: não vi nada". Erik Satie
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30.10.05
Musa
Sabe aquele dia em que vc procura uma música muito linda pra ouvir, que vc sabe que vai te fazer chorar e ouve sem parar? E chora sem parar? Pois é. É hoje
A musa? Musica, sim, do Paulo Malaguti, Pauleira, neste caso interpretada pelo Vocalise, um grupo vocal foférrimo!
No próximo tem essa, ah, tem. Essas e todas as outras. Me aguardem.
matisse e sua musa
4:32 PM Comments:
28.10.05
O resultado do referendo do Avant-dernières pensées
Comentários do post 37564601
reeleição
golb | Homepage | 27-10-2005 14:27:10
sou contra sua idéia do aborto da maconha e da propaganda eleitoral pagar o controle radical da natalidade. ahahah
gugala | Email | Homepage | 26-10-2005 12:18:34
Sim ou não quanto a proibição das músicas do Oswaldo montenegro!!! descriminalização da maconha prisão perpétua para crimes hediondos (*prisão mesmo!!! sem abrandamento de pena)
JM | Email | 26-10-2005 09:04:37
depois desse, tenho até medo...mas gostaria de perguntar pra todo mundo: "vc é feliz?". É como esse último referendo: não adianta nada, mas pensar a respeito faz bem.
maray | Email | Homepage | 25-10-2005 11:15:37
parlamentarismo/ presidencialismo___agora é a hora
gugala | Email | Homepage | 25-10-2005 10:50:27
Cotas em universidades públicas, Lei Rouanet e do Audiovisual para os medalhões de sempre, Concursos fraudados, Bolsa-isso e Bolsa-aquilo (e assistencialismos demagógicos).... é só lembrar dos muitos outros que eu volto aqui para listar.. Beijos!
Felipe | 25-10-2005 09:56:47
Obrigada a todos que participaram
Agora a gente encaminha essa lista pra quem?
3:01 AM Comments:
25.10.05
Meus referendos favoritos:
Categoria hors concours:
voto obrigatório
Os outros:
aborto
maconha
propaganda eleitoral paga
controle radical da natalidade
maluf, sergio naya, lalá e os felasdaputa esquecidos, espancadores de mulheres, estupradores, exploradores e abusadores de menores, na lavoura pública, plantando para alimentar mortos de fome, forever
pagadores e aceitadores de jabá, na cadeia, forever
E os seus?
3:50 AM Comments:
17.10.05
Eleanor Rigby
Quatro mulheres entre 30 e 40 na mesa do bar, domingo à noite. Uma delas disse que sonha em ter fotos vestida de noiva. Acha que se esperar mais tempo vai ficar velha demais pra isso. Ela não acredita mais que encontre um homem pra casar com ela na igreja, pompa e circunstância, marcha nupcial, ave maria de gounod, jesus alegria dos homens e tal.
Por isso ela vai alugar um vestido de noiva, vai contratar um fotógrafo e vai pro Jardim Botânico fazer seu álbum, como todas as noivas fazem. Sem casamento, sem noivo, sem namorado, sem pretendente, sem parceiro, sem par. A parte do sonho que ela pode realizar, ela vai realizar...
All the lonely people where do they all belong?
5:36 AM Comments:
Fumo
Preciso ler um poema arrebatador, preciso ouvir uma música que me penetre a alma, preciso ver um filme que me faça chorar muito. Preciso ajudar crianças em risco social, preciso dar atenção à minha família, preciso consertar o piso do meu apartamento e o pedal de sustain do piano. Preciso urgentemente ouvir os cds que comprei e nunca, os livros que se amontoam na minha cabeceira e nada, os amigos que nao vejo, a bicicleta que nao pedalo.
Ontem ele passou o dia, a noite e a madrugada comigo, me vendo trabalhar, jogando beijos de longe. Me beijou na boca na frente de todo mundo e disse: vamos ter um filho, vamos logo? Imagina os cílios, ele disse, piscando aqueles olhos cinza-azeitona, com kajal de nascença, as pestanas espessas e longas, coisa mais linda que eu já vi. Pisquei os meus, pq tb nasci de rímel. Vamos, vamos sim. E se for menina, ele disse? Tem um nome? Maria Cecília, Clarisse, um monte. E menino? Menino quero o nome do meu pai, romantizei. Tá ótimo, ele disse. Era a primeira vez que nos beijávamos. Era a primeira vez que nos beijávamos.
(Nós dois temos o mesmo nome! Eu e ele temos o mesmo nome!)
Vamos ensaiar, eu disse, antes de ter um filho vamos ensaiar. Sim, vamos marcar uns ensaios, ele falou, como se a gente estivesse armando de montar uma banda nova. Mas filho só tenho com marido, eu disse. Então vamos casar, ele disse.
Palavras saem da boca como se escapulissem de dentro por vontade própria vazias de sentido caem no chão misturam-se ao som alto do bar sobem à cabeça com vodca e lima da pérsia feito fumaça rarefeita no ar caem no esquecimento um minuto depois.
Desculpem, também acho chatérrimo ser assim tão pessoal no blog. Mas hoje não teve jeito. Preciso loucamente encontrar um poema lindo pra ler e ter certeza de que as palavras não vão desaparecer da página no minuto seguinte...
foto de graham jeffery
4:32 AM Comments:
13.10.05
80: a década que não terminou
jaco = já comi
toco = to comendo
voco = vo comer
uma bandana na cabeça e um copo cheio na mão (e muito baixo leblão)
2:46 AM Comments:
9.10.05
O fim da espécie
Há um ano eu fui a uma festa em que havia muitos viados. Tenho mil amigos gays e tudo certo, menor problema, blá, blá, mas eu nao sou gay, needless to say. A questão é que eu voltei à mesma festa este ano, e qual não foi a minha surpresa quando eu descobri que os caras que não eram viados no ano passado ficaram viados este ano. O casado separou da mulher linda que tinha e decidiu pegar o garotinho moreno, que no ano passado tava sozinho e já era gay.
O francês bonitão tava com uma mega loira turbinada motor zetec rokan, daquelas que usam uma micro sainha de paetês e um mega salto alto. O cara tinha um curriculo invejaderrimo por outros homens. Aí este ano, pasmei! O cara tá pegando o outro, o moreno foférrimo, aquele, que no ano passado tava com a menina morena, aos beijos, e em cuja bicicleta eu mesma já andei dando umas voltinhas...
A coisa tá de um jeito, que na parte que me toca, aliás, que nao me toca, o lance já tá ficando alarmante, mas em uma escala mais ampla, acho que podemos começar a nos preocupar com a perpetuaçào da espécie...
E antes que alguém reclame, não, não é preconceito. É legítima defesa...
Daqui a pouco a gente vai ter que topar viver num harém
6:34 PM Comments:
6.10.05
A pescadora de pérolas
"É como se eu estivesse no meio do mar pescando e fui pescar meu primeiro filho. Joguei o anzol e veio um peixe bonito, fiquei muito feliz. Quando fui ter minha segunda filha, joguei um anzol e não veio um peixão e sim uma estrela do mar. Fiquei assustada pois não era o que eu estava esperando. Mas aí comecei a olhar para a estrela, que era maravilhosa, que era colorida, que era linda. Aí me deu vontade de colocar uma máscara para enxergar o fundo do mar e vi que era mais rico do que eu imaginava. Tinha peixes, estrelas do mar, ouriços, crustáceos. Esta beleza é fruto desta diversidade"
De Stella de Orleans e Bragança sobre o fato de ter uma filha com síndrome de down. Eu estenderia a doçura desse comentário a toda a humanidade e suas diferenças: cultura, etnia, religião e tal
3:46 PM Comments:
2.10.05
Quem descobriu o Brasil?
Meu amigo poeta Ronaldo Werneck é mineiro de Cataguases, cidade de Humberto Mauro, pra onde voltou depois que parou de trabalhar aqui no CCBB (alías, mineiro sempre volta pra casa, alguém já escreveu a tese?). Lá ele toca mil e um projetos culturais super especiais e conhece pessoas superinteressantes. Está no Rio para lançar seu novo livro, o Revisita Selvaggia, dia 4, na DaConde.
Esta noite, na cobertura do Hotel Miramar, Posto 6, Copacabana, onde a classe média alta se divertia nos anos 60, invenção surrealista do Geraldinho pro nosso programa de sábado à noite, tomamos drinques finos, cafonices como daiquiris, hi-fis, cubas-libres e manhattans e contamos causos. Não havia ninguém no bar, só nós. Inventamos o bar. Inclusive, eu e a Bia já sabemos onde vamos levar nossos próximos namorados quando estiverem no período de experiência.
Lá embaixo, a noite de Copacabana estonteante depois do dilúvio que lavou a cidade.
Esta noite fiz meu primeiro decassílabo perfeito, involuntário - é óbvio - e que só um homem das letras, poeta e sacanocrata como o Geraldinho seria capaz de reconhecer, assim, de chofre, como fez: "Por ele eu me desfaço dos meus planos", eu disse. Bingo, disse ele, na mesma hora! Por ele cometo decassílabos perfeitos, retruquei, sem métrica nenhuma... Até porque nao sei nada de poesia, decassílabos e outras perfeições.
Ronaldo, lá pelos seus seis, sete anos, abre o livro na aula de História do Brasil e aprende: Quem descobriu o Brasil foi Pedro Álvares Cabral. A ilustração mostrava um senhor barbudo, narigudo, de rosto fino. Surpreso, indignado, Ronaldo quase caiu da cadeira! Pedro Álvares Cabral, aquele senhor cuja figura ele via no livro, era seu velho conhecido!!!
Acontece que na mesma rua em que Ronaldo morava, a poucas casas de distância da sua, havia um senhor cujo nome era Pedro Álvares Cabral, barbudo, narigudo, de rosto fino, que parecia-se imensamente com o xará desenhado no livro de História. Estava claro, eram a mesma pessoa! Ronaldo ficou chateadíssimo de saber, pelo livro, que o seu próprio vizinho, pai do seu brodaço Chiquinho, tinha descoberto o Brasil. E que ninguém tinha contado pra ele...
Quem diria? Cabral também era mineiro de Cataguases
6:56 AM Comments:
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